As manifestações populares afloram mundo a fora. Essa onda mais recente envolvendo civis começou na África, em países como Tunísia e Egito, e ficou conhecida como Primavera Árabe, as que tomaram maiores proporções e atingiram o nível de Guerra Civil foram na Líbia de Gaddafi (uma das 500 formas de escrever esse nome) e principalmente na Síria de Bashar al-Assad, que perdura até hoje e já ceifou a vida de milhares de civis. Enfim, não é sobre ela que irei falar, visto que é um assunto muito complexo, exige um estudo mais profundo da história do povo árabe, da influência do exército e de países ocidentais tais como os Estados Unidos. Serve apenas como ponto de partida para o assunto do texto.
Os mais antenados com certeza tomaram conhecimento dos fatos ocorridos na Ucrânia ou mesmo, se precisar atravessar o oceano Atlântico, basta olhar pra nossa vizinha Venezuela.
No caso da Ucrânia, onde quase uma centena de pessoas já morreram na onda de protesto, a comparação nas rodas de discussão não poderia ser outra se não: Por que no Brasil não vemos a mesma cena?
Não sou sociólogo, antropólogo ou tão pouco historiador, vou apenas aventar a minha opinião sobre esse questionamento. O único fator que nos aproxima da Ucrânia é a caraterística de país agrícola. A nação europeia sustenta sua economia muito graças a sua agricultura, ou seja, cenário parecido com o que vemos no nosso país. Fora isso, não vejo outros laços e isso influencia diretamente nessa diferença de postura.
A Ucrânia possui uma história milenar, dividida em várias épocas, distintas formas de governo e durante o século XX conheceu os horrores da guerra e da instabilidade política e econômica quando era parte componente da extinta União Soviética. Os ucranianos foram as vítimas de um genocídio pouco conhecido - Holodomor (aqui cabe uma observação: pesquisem sobre o mesmo, como tudo na vida, há correntes contrárias que negam a existência deste acontecimento) e já na década de 80 o desastre na usina de Chernobyl ajudou a fortalecer a ideia de um pais mais acostumado a grandes agitações. E no nosso Brasil, vivemos nossos pouco mais de 500 anos no mais puro sossego? Óbvio que não. Também sofremos, fomos explorados, escravizados, roubados, passamos pela ditadura de Vargas, depois a Ditadura entre as décadas de 60 a 80, contudo creio que as marcas do passado são menos presentes hoje no Brasil do que em um país como a Ucrânia (isso dentro deste contexto, pois dentro do cenário econômico a história é outra).
Insatisfação e desejo de mudança é algo presente em todos os seres humanos, até nos finlandeses e noruegueses que vivem no topo da cadeia em termos de IDH. Agora, despertar, deixar isso vir a tona é outra história. Fora que, novamente tudo indica que possa haver interferência externa nessas manifestações, grupos sendo financiados para mover e promover essa situação.
Enfim, um dos estudiosos que melhor explica essa questão sobre a formação do povo brasileiro é sem dúvida Darcy Ribeiro em suas obras históricas, fica aqui a recomendação: Aos trancos e barrancos e o Povo Brasileiro: A formação e o sentido do Brasil (esse virou documentário que esta disponível na íntegra no youtube).
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