Assim seria se vivêssemos na era Vargas onde pra ser alguém você precisava ter carteira assinada, se não tivesse é porque era malandro, e se era malandro tinha que apanhar.
Foi necessário mais de meio século pra que enfim as empregadas domésticas também pudessem se orgulhar e dividir essa honra com as demais classes trabalhadoras. Antes tarde do que nunca diz o chavão popular, porém não é fácil olhar pra trás e ver que algo tão simples poderia ter sido ajustado há anos.
Já assistiram o ótimo "O som ao redor" do diretor Kleber Mendonça Filho? Ali, meio que escondido o filme trás uma crítica muito interessante sobre as domésticas, quando a filha tem que substituir a mãe no emprego e não demonstra alegria nenhuma ao fazer isso.
Em outro filme, um curta do mesmo diretor e igualmente bom chamado "Recife Frio" (eu tenho mania de colocar entre aspas, apesar de não saber se é de fato necessário), o diretor explora de maneira genial a função do tal quartinho de empregada, tão odiado por gente como o Eduardo Sakamoto, que entendem isso como a extensão da senzala.
Assistam, valorizem o cinema nacional, outro dia falarei do Eduardo Coutinho, um gênio do ramo da sétima arte que mais me envolve - os documentários.
EmpregadA? Essa cultura impregnada em nós é algo difícil de se desvencilhar, lembremos que também existem homens que exercem tal função.
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